domingo, 22 de outubro de 2017

Poesia elaborada aos 50 anos da Paróquia de São Francisco de Assis

PARÓQUIA DE SÃO FRANCISCO DE ASSIS
*** 50 ANOS***

EURÍDICE ALVES


Quando a Arquidiocese
Seu centenário festeja,
Também faz cinqüenta anos
Que uma pequena igreja
Foi a Paróquia elevada
E de pronto consagrada
Ao Santo da Natureza.

Da rua Miguel Rachid
O bom Francisco de Assis
Protege o Ermelinense
Que busca viver feliz
Com amor e simplicidade,
Trabalho e honestidade
E muita fé por vir.

À luz do seu protetor
Ativa comunidade
Demonstra sua fé com obras
Em várias atividades
Visando o bem social
Junto com o espiritual,
Mostra real caridade.

Ali começou uma história
Por muita crença marcada
Desde que um missionário
No meio da caminhada
Viu num tronco bem rijo
Uma abertura, qual nicho
Onde uma cruz foi deixada

Na cruz pintada de azul
Que veio a tornar escura
A data que indicava
Aquela primeira ventura:
Mil, oitocentos e cinqüenta
Marcava a jornada lenta
Para uma igreja futura.

À frente do grande tronco
Mudado em oratório
O terço era rezado
Na voz de um povo simplório
Que graças atribuía
No tronco um reservatório.

Foi o Velho Paranaguá
Quem mais se interessou
Por relatar a história
Que em ata se registrou
Em março de vinte e setembro
Num documento  inconteste
Que um instituto lavrou.

O rezador Pedro Velho
Todo dia três surgia
Com cantos era especial
No três de maio, afinal,
Da Santa Cruz era o dia.

Dona Justina e o Francisco
Que eram os proprietários
Do sítio onde ficava
A Árvore-relicário,
Ficavam muito contentes
Ao reunir tanta gente
Para rezar o rosário.

Deu-se há setenta anos
Um caso fenomenal:
Do céu caiu forte chuva
Em forma de temporal
E um raio cortou a copada
Deixando a cruz preservada,
O que não era normal.

O estranho fato fez crer
Que até a natureza grata
Também se havia curvado
Àquela peça sagrada
Que se tornou a razão
Do início da construção
De uma pequena orada.

Há sessenta e nove anos,
No dia quinze de agosto
A Capela da Cruz Preta
Pequena mas de bom gosto,
Com festa se inaugurou
E o tronco que se cortou
Num canto dela foi posto.

Não era mais só o terço,
A cada quinzena havia
Solene missa, com padres
Que de Ferraz acorriam
Para dar sua assistência
À igreja em efervescência
Que a cada mês se expandia.

Contam que era a capela
Humilde e tão pequenina
Que só comportava o padre
Quase sem a batina;
Porém toda a fé e amor
Cabiam no interior
Daquela casa divina.

Com dois anos da capela,
O ensino do catecismo
O Seu Luiz instalou
Com todo amor e otimismo
E o Meneguelli ajudando
A igreja foi se firmando
Com garra e heroísmo.

Assim encontrou-a um padre
Ao visitar o lugar,
Ficou bem impressionado
Com tanta gente a atuar,
E assumiu a capela
Porque encontrou só nela
O povo a trabalhar.

Uma década passada,
Crescia a comunidade,
Surgia a nova capela
Com maior capacidade
Para abrigar os cristãos,
Unidos em oração
 E várias atividades.

No ano cinquente e oito
Desse século passado,
São Francisco de Assis
Ao altar – mor foi guindado
Daquela antiga capela
Da cruz Preta, tão singela,
Em Ermelino Matarazzo.

Aquela somente de fé
Cresceu e frutificou
Gerando várias paróquias
E grupos de real valor:
Cruzada, Pia-união,
Marianos e Legião
E muitas obras de amor.

Na década de setenta
Três padres novos chegaram
Lá dos Estados Unidos
E o tronco logo estranharam
E sem qualquer sentimento
Jogaram-no ao relento
E o povo nem consultaram.

Porém, tomados de brios,
Os homens da comunidade
Fretaram uma carroça
Sem muita dificuldade
E o tronco foi transportado
A uma favela, aos cuidados
De nova comunidade.

No ano de oitenta e dois
No dia doze de abril
Em meio a muito granizo
O Padre Ticão surgiu;
Era seu aniversário
Quando tornou-se vigário
E essa igreja assumiu.

Novos trabalhos sugiram:
A casa dos Deficientes,
Atendimento a gestantes,
Cursos para carentes;
Pros doentes, a Pastoral
Requisitou o hospital
Em luta eficiente.

Um centro de convivência
Para a terceira idade
E creche para as crianças
Já são nova realidade;
E um jornal eficiente
Pras notícias mais recentes:
"A voz da Comunidade".

"Alcoólicos Anônimos"
Já têm nova identidade,
Hoje é a inovadora
"Pastoral da Sobriedade"
Com o honroso ofício
De combater todo vício
Que perturbe a sociedade.

Quando tanto preocupa
Da natureza o destino,
A "Pastoral da Ecologia"
Dá um recado divino
Às gerações mais recentes
Que a terra é como gente,
Reclama amor e carinho.

Estudantes sem recursos
Têm apoio garantido:
Universidade Kolping
Foi o nome escolhido
Para uma promoção
Que a "Pastoral da Educação"
Fez seu grande objetivo.

"Pastoral Familiar"
Não cuida só de casados,
Faz o Encontro de Noivos
E encontro de Namorados,
Que é melhor prevenir
E preparar um porvir
Sem erros sem sobressaltos.

Para defender as vidas
Que estão para nascer
Foi criado o "Movimento
Contra o Aborto", pra entender
As gestantes mais carentes
Com zelosos assistentes
Que se esmeram em seu mister.

A "pastoral do Emprego"
Está sempre a visitar
As empresa que têm vagas
Para o povo encaminhar
E quem tem alguma dica
De vagas oferecidas
Trata lodo de informar.

Tantos esforços e lutas
Novo templo mereciam
Pra abrigar tantos fiéis
Que as missas acorriam;
E uma boa comissão
Se empenhou na construção
Com amor e alegria.

No ano dois mil e seis,
Após anos de jonada
A mais bela e nova igreja
Foi com festa consagrada
E o bom Francisco de Assis
Prossegue a fazer feliz
Essa gente esforçada.

Tudo o que se pretende
Ao registrar tais memórias
É o zelo com identidade
Do povo, na sua história;
E quando o tronco guardamos
É do porvir que cuidamos
Dos nossos filhos da gloria.




1ª edição:1998
2ª edição: 2008  - revista e ampliada pela  autora, Eurídice Alves

Ilustração: Mateus j. Santos     (in memoriam)


FONTES:
-Arquivo de PROJETO MEMÓRIA DE ERMELINO MATARAZZO
-Depoimentos de paroquianos.
 





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